sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fase 2 : O dia D

Não sabia muito bem o que eu esperava ao abrir a janela do meu quarto, mas ao me deparar com aquele céu que eu tanto estava acostumada, de alguma forma, me desanimei...Imaginei que veria letreiros com meu nome, passarinhos assobiando,fogos.. Sei lá , qualquer coisa que caracterizasse aquele como o grande dia.

O dia amanheceu como outro dia qualquer.Não havia nada de especial e muito interessante no céu. Nada que revelasse que alguma coisa diferente fosse acontecer; enfim, era uma manhã comum, daquelas que amanhece e nada mais. Algo decepcionante pra mim, que considerava esse o dia que mudaria a minha vida, em que eu não seria mais a mesma, entre outros exageros dramáticos.

O lado bom é que eu pelo menos dormi. Conseguir dormir era algo que eu não havia planejado para o dia anterior à colação, realmente. E a aquela estranha calma? Estranha sensação de bem estar ao abrir os olhos e a primeira coisa a se pensar, ainda naquela dúvida de se estar acordada ou dormindo, é: "Nossa, hoje é a minha formatura!". Nada de pânico, gritos desesperados, sair correndo pela sala. Nada disso. Apenas levantei, abri a janela, e fiquei a encarar aquele céu comum.

Enfim, deveria começar a me aprontar... Peguei as coisas e fui para o salão imaginando o que fazer com o cabelo , qual desenho fazer nas unhas..
Comecei os preparativos e a hora insistia em correr ... Comecei a imaginar que não chegaria na faculdade a tempo. Foi então, nesse momento que comecei a sentir uma ansiedade. Um nervosismo já se espalhava pelo meu corpo.

Quando enfim fiquei pronta, fui correndo para casa terminar de me arrumar.Durante o caminho já havia ligado para o meu namorado umas trezentas vezes porque afinal, precisava relaxar um pouco e nada melhor do que dividir a tensão com alguém.(Ele também estava se formando , mas homens não parecem se importar tanto com isso, coisa de MACHO!)

Já com a roupa, sai de encontro a uma colega entrei no carro e tudo que eu conseguia pensar era: "Estou indo pra minha formatura! Estou indo pra minha formatura!" Era estranho.
Ao chegar lá, e me deparar com o cenário sendo montado, os colegas de curso em seus trajes formais, veio um certo choque. Estava acontecendo mesmo. Era pra valer.Dali pra frente, não tinha mais volta. Cumprimentos e abraços nos colegas. Conversa mole aqui, comentários acolá...

O mais estranho nessa hora é pensar que vão ser essas pessoas que, querendo ou não, vão fazer parte de um capítulo importante da sua vida. Você não vai se esquecer delas. Acho que é essa a grande questão com essa coisa de formatura:é algo histórico demais, inesquecível demais!É toda essa pressão de que vai ser algo pra se guardar pra toda a vida que chega até a ser insuportável.É como se você estivesse prevendo o futuro;é como estar vivendo uma coisa que você já sabe o final.

Chega o momento de colocar a beca.Foi um desses momentos peculiares em que você chega a conclusão de como a vida pode ser engraçada.Ao me ver no espelho, toda pomposa, não me senti uma formanda de faculdade.Por incrível que pareça, me lembrei imediatamente da minha formatura do primário.Prato cheio para um psicanalista.Acho que nunca me senti tão menina na vida, como vestida com a beca.Isso deixou o momento mais emocionante.Me segurei pra não chorar.

Burburinho no auditório. Era quase hora de começar a cerimonia. Era agora. Entramos, um por um no auditório.Fantástico! Me senti uma celebridade! Música megalomaníaca na entrada.Gritos histéricos da minha família (que sozinha já é histérica o suficiente) e da família do meu namorado.Fotos e muitos flashes. Uma verdadeira PopStar! Não fiquei devendo nada a Beyonce!

Tudo foi correndo de forma tranquila. Finalmente, chamaram meu nome e no momento da entrega do canudo,fui acenando pra tudo quanto é lado.Não ouvi nada, não vi nada(na verdade, lembro de uma faixa com meu nome..coisas da minha família, rs).Fiz tudo certinho.Não tropecei, nem nada. So desabei de emoção, quando minha mãe veio com um buquê e me abraçou. Foi um dos momentos mais lindos desse dia. E, percebi a verdade clichezona (a vida é feita de clichês...): é um momento especial, sim! Nunca senti tanta adrenalina no corpo.

Lá fora, depois de tudo terminado, abraços! Muitos abraços! Fotos. Muitas fotos. Demonstração de carinho e afeto. Palavras lindas, de apoio, de agradecimento. Coisa inesquecível mesmo. Me disseram depois que eu exalava felicidade.Não tem como eu negar. Eu estava mesmo.

É um momento único. Um dia só seu, talvez um dos únicos. Um dia em que a atenção de todo mundo está voltada para você apenas.Todas as pessoas que gostam de você, e que te querem bem, reunidas em um mesmo local. Abraços, muitos abraços.
Quem dera se todos os dias fosses assim. Todos,não. Quem dera se pelo menos uma semana inteira de sua vida fosse assim.
É pedir muito?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fase 1: O Alívio

"Parabéns, a sua apresentação foi uma das melhores que já assisti, considere-se formada!"

E com essa fala assim de repente, eu virei farmacêutica. Me transformei, em questão de quinze minutos da apresentação em uma banca de defesa de monografia, da aluna bolsista, a mais um profissional dos milhares que a cada semestre são jogados ao gigantesco oceano do mercado de trabalho (jogados, diga-se de passagem, sem boias...e a maioria não sabe nadar)


O momento que vinha me aterrorizando desde Janeiro desse ano; que vinha tirando o meu já insuficiente sono; aconteceu finalmente. Não do jeito que eu imaginava, pois as coisas jamais acontecem da forma que eu imagino. Mas acabou acontecendo...de outra forma. De outra forma, fiquei ali em pé, tremendo como vara verde ; ouvir o que quer que fosse das duas pessoas que me avaliavam. E elas falaram. Pouco, mas falaram. E, foi o suficiente pra me deixar radiante. E, no final, de outra forma eu falei o que eu queria falar para todo mundo.


E muito rápido. Extremamente rápido. Os quinze minutos mais rápidos da minha vida. Para um dos momentos mais importantes da minha curta existência, foi tudo muito depressa e acelerado. Não houve muito tempo para assimilar e
entender coisa alguma. Simplesmente passou, assim de repente...E nem fiquei emocionada, não chorei. Aliviada seria o mais apropriado a dizer.
É sempre assim comigo. Eu me anestesio nessas horas, pra não sentir muita coisa,e continuar a viver (coisas de Dayellen).


E nem ouvi metade das coisas que eu esperava ouvir (metade é até exagero). Nem um terço dos elogios que eu fantasiava em receber. Essa minha mania de esperar muito das pessoas ainda me mata. Novamente, foi algo que "apenas" aconteceu, como muitas coisas que "apenas" acontecem.



Sei que algum dia a ficha vai cair, que eu vou compreender a amplitude do que aconteceu. Muito brevemente, eu arriscaria a dizer. Mas, enquanto isso não acontece, vou tirando a anestesia do meu organismo, para que no que dizem ser o próximo grande evento da minha vida, eu possa sentir realmente.